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O importante não é competir, é vencer! - Marcelo Prahas - psicologia do esporte e clínica.

O importante não é competir: é vencer! – Marcelo Prahas – psicologia do esporte e clínica.

 

Jogos Olímpicos: Esporte Profissional.

 

 

 

”O importante é competir”.  Barão de Coubertain, historiador e pedadogo. Fundador do olimpismo moderno.

”O importante é ganhar tudo e sempre; o importante é competir não passa de pura demagogia”. Ayrton Senna , multi-empresário com participação importante no agronegócio. Maior piloto da história da Fórmula 1 de todos os tempos.

A base da vida é a cooperação, e não a competição!

A competição pela sobrevivência, onde os mais adaptados (eufemismo para os mais fortes) sobrevivem, como sendo o motor da evolução e da vida, não é uma idéia tão importante na biologia quanto a cooperação.
Muitos biólogos observaram que a base da vida, e que torna possível mesmo a existência da competição entre as espécies, é a imensa rede de cooperação de vida na natureza, quase infinita.
Uma árvore coopera, fornece substrato, “amamenta” formigas, pássaros, abelhas, pequenos mamíferos – e mesmo grandes mamíferos como girafas e elefantes -, microorganismos, musgos, fungos, outras plantas… recebendo de volta desses seres polinização, adubos, poda, entre tantas outras coisas – um processo de  cooperação incessante.
Desse modo, a competição só pode existir se houver cooperação. A cooperação entre as espécies é a base que sutenta a variedade e o crescimento de todos os seres vivos.

A competição entre os predadores das savanas africanas só existe devido à predominante teia cooperativa da natureza.
Como consequência, a  competição permanece sendo um apêndice da cooperação, quando olhada por lente que capture o cenário mais amplo.

E, somente de uma  perspectiva mais ampla, a frase do Barão de Cobertain  de que  “o importante é competir” pode ter algum sentido.

 

O importante na competição é vencer: a realidade se impõe.

O sentido imediato da competição é superar o oponente, vencer, derrotá-lo.
Assim como para os animais predadores, o objetivo é matar a presa, para garantir sua própria sobrevivência.
A essência, a razão de ser da competição é vencer, sobreviver. O importe é vencer sempre. Como admitir que o importante seja apenas competir? Se o outro me detruir não importa?!

 

 Há uma profunda incongruência entre os ideais de fraternidade e o modelo competitivo dos jogos.

Como pode haver alguma coerência entre os ideais de paz e de fraternidade propagados nos jogos olímpicos modernos,  uma vez que os eventos dos jogos são competições ( uns contra os outros)?

Há um incongruência gigante, debaixo de nossos olhos, que além de não querermos ver,  cremos que se enfeitada com uma névoa de ideais nobres consiga-se modificar o quadro predador de matar ou morrer, vencer ou perder que define a competição.

Para celebrar a harmonia, a fraternidade e a paz entre os povos, as modalidades de esportes teriam de ser modalidades cooperativas, sem que houvessem vencedores ou perdedores – apenas participantes.

E atividades cooperativas sem metas seriam as ideais: qualquer altura, qualquer força ou velocidade estariam bem. As medições e comparações não fariam parte da festa. Mas alto, mais forte e mais rápido estariam fora de cogitação, não comporiam a agenda.
O doce-estar aqui e agora, sem objetivos, apenas desfrutando o momento: banho de cachoeira, deitar na rede, casquinha de siri na areia do mar, danças livres, frescobol, etc, seriam as modalidades dos jogos.

 

O importante é vencer: sem demagogia, por favor!

Mas essa não é a matéria que compõe os jogos. Os jogos são feitos de vitórias felizes e derrotas amargas.

E embora as vitórias possam ser relativizadas, um décimo lugar para dado atleta possa ter sabor de ouro, e uma medalha de prata possa significar a mais vexamosa derrota para um outro atleta, sempre somente a vitória importa. Aprender com as derrotas, por exemplo,  é apenas incorporar mais um elemento na busca pela vitória.

Os jogos são feitos de competições, de irrequietos superlativos: mais alto, mais rápido e mais forte.

A incongruência entre a realidade e os ideais de fraternidade, paz e harmonia que impulsionam os Jogos, afirmando que “o importante é competir”,  exige uma grandeza de alma – e uma conta bancária – que poucos seres humanos conseguem ter.

 

 Esportes e jogos de aposta lado a lado, tradição no ocidente.

Ainda há um dado histórico reforçando a pouca sutentabilidade da idéia do esporte diletante, amador, desinteressado e nobre.

O esporte de alto nível, na época da criação dos jogos, parte importante dele acontecia em circos de apostas semelhantes às corridas de cavalo. Lutadores de boxe, corredores e outros atletas ganhavam seus sustentos com a atividade esportiva. Nada era feito por amor ao esporte, por nobreza de espírito.

O equivocado ideal de que o importante seria competir,  ao longo de muitas décadas permitiu que não se remunerassem as pessoas que dedicavam-se ao esporte em tempo integral, profissionalmente.

Sob o rótulo do amadorismo,  gigantes do esporte mundial foram duramente expropiados.

E  esses ideais que fundaram os jogos olímpicos, e que proibiram a remuneração por muitas décadas, caíram por terra. O termo esporte amador quedou substituído por esporte olímpico.

E nesse caminho de desconstrução, ficou famosa a frase, bastante polêmica à época, proferida pelo campeão mundial  Ayrton Senna: ”O importante é ganhar tudo e sempre; o importante é competir não passa de pura demagogia.”

 

Nossas expressões sociais ( o esporte é uma delas) refletem nosso estado de desenvolvimento psíquico e civilizatório .

Assim como tanta gente, também desejo que um dia o mundo seja diferente, talvez com jogos cooperativos, em sintonia com o grande quadro da vida na  gigante teia de fraternidade e cooperação entre as espécies: base de toda a vida no planeta.

No entanto, no momento, a realidade é a das competições, onde o importante é vencer e não apenas participar –  diferentemente do que  disse o barão de Cobertain – talvez na esperança de colocar o mundo em uma direção que evitasse o evento sangrento e não-cooperativo entre os povos, que foram as duas grandes guerras mundiais do século XX, a de 1914 e a de 1940  – pouco tempo depois de ter sido criado o Olimpismo.

Um grande e único período de guerra  (1914 a 1945 , 31 anos de guerra para alguns historiadores), que contraditoriamente teve países cooperando entre si,  para derrotar  o outro grupo de países que também cooperava entre si.   – Nos Jogos, a competição para a cooperação; e na Guerra, a cooperação para a competição …   – Tentar compreender o universo humano é uma loucura!

E nessa competição – a guerra, competição por excelência entre as competições –  para nenhum dos dois grupos o importante era competir, estar participando da guerra… o importante era vencer! Por favor E a derrota, completamente temida e abominada por ambos lados!

Talvez, nesse então, e ja faz muito muito tempo,  as instituições financiadoras do evento fossem os únicos entes aos quais a vitória ou derrota tivesse alguma possibilidade de indiferença.

*All in a nutshell: “Àqueles que participam diretamente da competição: só a vitória interessa!

 

*Em poucas palavras; resumindo o blá-blá-blá.

 

Por Marcelo Moreira Palma, atleta participante em dois jogos olímpicos / psicólogo do esporte e clínico Marcelo Prahas.

 

 

 

 

 

 

 

Trabalhando para você vencer no esporte, não apenas competir! Atendimento Online e presencial para Psicologia do Esporte e Psicologia Clínica / Psicólogo Marcelo Prahas. São Paulo/Brasil

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