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   Ser humano “Fora da Curva” .

João Carlos de Oliveira, fenômeno esportivo único.

João Carlos de Oliveira, o maior atleta do Salto Triplo de todos os tempos. Seu recorde mundial durou ao menos uma década. Começou o esporte aos 18 anos, em uma época em que o primeiro mundo todo já treinava suas crianças.

Em estatística, ponto fora da curva estatísticavalor aberrante ou valor atípico, é uma observação que apresenta um grande afastamento das demais da série (que está “fora” dela).

Os pontos fora da curva  são dados que se diferenciam drasticamente de todos os outros.

Os pontos fora da curva, possuem diversos outros nomes, como: dados discrepantes, outliers , observações fora do comum, anomalias, valores atípicos, entre outros.

Os campeões são pontos fora da curva  – sempre: Ou muito altos, ou muito baixos, ou muito flexíveis, ou muito rápidos, ou muito fortes, ou muito resistentes, ou muito hábeis… em fim…  realmente estão muito distantes das demais pessoas em alguma qualidade física, muitas vezes  acompanhada por alguma qualidade psíquica que os distancia em muito das médias das pessoas também.

Esse aspecto anormal, único que o campeão (o atleta) possui, está sempre em oposição, coexiste com os aspectos normais, absolutamente corriqueiros de corpo, intelecto e afetividade que formam sua personalidade.

Em outros aspectos da vida, da afetividade, e mesmo corporais os atletas são absolutamente seres humanos comuns: possuem desejos, fragilidades, medos, dificuldades, limitações, sentem dor física e emocional.

Como lidar com esse culto à genialidade – a qual é real, é verdade! – sem que a pessoa tenha que abrir mão de sua preciosa normalidade?

O ser humano genial em seu âmago, em sua essência é um ser humano normal, apesar de poder ter 2,20 metros de altura, de correr os 100 m em menos de 10 seg, ou de marcar 1 gol por partida na Super Liga Européia, contra defensores intransponíveis, sente solidão, pode ficar extremamente triste com mentiras sobre si que, por ventura, saiam nos jornais, tem questões afetivas, sexuais, familiares a resolver.

O conflito desses dois aspectos da personalidade do atleta, o brilhantismo totalmente gigante de algumas de suas qualidades,  que trazem sucesso,  fama, e a grande porção absolutamente normal de sua personalidade (sendo sobretudo uma necessidade psíquica vivê-la), deve ser observado atentamente, pois pode revelar muitos dos processos psíquicos que um atleta vive.

Um ponto fora da curva significa na estatística de todos os homens, uma característica completamente incomum a maioria dos homens; e na estatística da própria pessoa, um ponto apenas, entre outros milhões de pontos que poderiam ser considerados, mas que por sorte ou por azar recebe extremo reconhecimento social,  gerando dividendos extraordinários a quem os possui, possibilitando fama, dinheiro, uma vida  de super star, ou  no mínimo conferindo prestígio suficiente para alimentar qualquer ego humano, suficiente para confundir o essencial com o superficial em qualquer pessoa.

E Psicoterapia é o encontro do extraordinário com o comum, é a volta prá casa.

O essencial é o mais simples no ser humano. Não há como polemizar sobre o essencial: ele é, e ponto!

O essencial é compartilhado por todos os seres humanos.

É compartilhado, é comum a todos nós: nascemos, fomos crianças, tivemos pessoas que foram pais e  mães para nós, vivemos nossas vidas de adultos, com maior ou menor sucesso, com habilidades fora da curva ou não, e logo, nos deparamos com a  morte, comum a todos os seres humanos e a qualquer ser vivo inclusive.

A perspectiva da morte é algo essencial. Morte, um mistério que todo o “fora da curva” se curva. Ainda não nasceu um ser humano tão fora da curva que não morra.

Vida e morte e seus conflitos são o objeto da Psicoterapia.  É com o essencial humano que a psicoterapia trabalha.

O não essencial das performances de alto nível, choca-se com o essencial que é comum a todos os homens: Vida/Morte e as angústias de um ser humano finito.

Um “ponto fora da curva” –  e o que ele possa performar – passa a ser quase um número de mágica, uma ilusão, algo lúdico, apenas diversão,  quando se tocam coisas essenciais como o ponto de chegada de todas as vidas.

Contudo, os “fora da curva” povoam, preenchem os circos  da Terra desde tempos imemoriais, e trazem momentos de alegria e contentamento a todos os seres humanos normais… ou os jogadores da NBA  deixam de assistir ao bom Circo de Soleil, deixam?

O importante em terapia é buscar saber  como o ponto fora da curva se encaixa na vida emocional do  “fora da curva”: que angústias provoca, que dores alivia, que desejos realiza.